O silêncio pode ser tenebroso as vezes.


Ele estava deslumbrante, como sempre esteve. Ela parecia não notar, quando virou-se e avistou o homem que um dia disse ama-la, viu o quão maravilhoso ele estava. Ela porém, fixou seu olhar durante segundos e reparou que estava distraído, com seus fones de ouvido e uma expressão preocupante. Ele parecia não te-la notado ainda, ela se perguntava o motivo das rugas em sua testa até que ele enxugou ao que parecia uma lágrima que escorria dolorosamente em seu rosto. Ela não podia ter visto aquilo, ele que ajudou-a tantas vezes, que fez ela ser forte para enfrentar as coisas como são .. ele não parecia ter problemas, estava sempre sorrindo, aquela cena não era das mais normais de se avistar. Ele estava do outro lado da rua, aguardando o sinal abrir pra ele então poder atravessar. Ela estava parada em frente a ele, com tantos pensamentos sem nexo que mal reparou que ele vinha em sua direção, sorrindo. Típico dele esconder as dores e sorrir e mesmo que muito forçado, ele tinha um riso encantador. Enquanto caminhava em sua direção, já preocupava-lhe o que falar ou o que fazer, mas nada lhe convia. Foi quando ele acenou com a cabeça e lhe surpreendeu com um abraço apertado, sussurrando em seu ouvido apenas duas palavras ”Senti Saudades”. Ela não podia acreditar no que estava ouvindo, depois de um longo tempo, depois de anos, ele diz ”senti saudades”, isso foi demais para ela. Irritada começou a balbuciar algumas palavras sobre ele não responder suas mensagens, não telefonar, não mandar um sinal de vida. Ele sabia aonde acha-la e diz que sentia saudades? Parecia injusto, ela mal lembrava que ele estivera chorando segundos antes, que ele escondeu sua mágoa e reuniu um pouco da coragem que ainda restava em si, pra abraça-la, creio que não ocorreu na cabeça daquela mulher que um abraço era o que ele mais precisava naquele momento. Até que a imprudência tomou conta dele, e calou-lhe a boca com um beijo tão inesperado quanto o tal abraço. Um beijo de tirar o folego, mas tomada pela raiva a mulher chorava como uma garotinha e apartou o beijo com um empurrão. Ele tropeçou nos próprios pés e caiu. Com a batida na cabeça ele desmaiou, ela toda desesperada pensou em chamar socorro, ele só tinha perdido a consciência por uma fração de segundos, acordou meio perdido e com a visão atordoada fez um gesto para chamar a mulher. Ela abaixou ao lado dele e ele lhe disse para que ela o ajuda-se a se levantar, ela ajudou-o e ele começou -sei que isso é imprudente e precipitado, mas … quero casar-me com você, esses longos anos sem ti foi horrível, mas no exterior eu mal tive oportunidades de falar com a minha família.- Ela começou a pensar, no exterior? Disso ela não sabia. E ele continuou -me desculpe pelos erros que cometi, mas gostaria de uma segunda chance .. porém, eu espero que você seja muito feliz e saiba que aonde quer que eu vá morar de agora em diante, eu sempre vou estar pensando em você, sempre estarei te cuidando quando necessário e te guiando quando sentir-se perdida.- Ele chorava. Ela secou suas lágrimas e perguntou -por que está me dizendo essas coisas?- Ela temia sua resposta, foi quando ele segurou suas mãos e disse -eu fui pro exterior para me tratar, disseram que lá eu teria mais chances de conseguir, mas mesmo assim não deu certo. O médico me disse que não tenho muito tempo de vida. Senti como se uma voz fala-se comigo e essa voz dizia pra que eu fosse atras do que eu precisava, antes de partir, disse-me para eu ficar tranquilo pois não morreria sem antes terminar a minha missão. A princípio eu não compreendi, mas logo ocorreu-me que eu pensara em ti esse tempo inteiro em que não ficamos juntos, ocorreu-me também todos os erros que cometi e pensei que não poderia morrer sem ao menos concerta-los, foi quando me dei conta de que era você a minha missão final. Mas não posso falar aqui.- Então ele disse para que ela fosse com ele, e eles andaram juntos por uns 15 minutos, em silêncio. Ela preferiu processar tudo o que acontecia, ele morrer? Como assim? Ela pensava consigo mesma. Quando chegaram em uma casinha simples, mas muito bonita, ele a pediu que entrasse, assim ela o fez. Ele a conduziu para seu quarto e ficou de costas para cama, foi quando ele recomeçou a dizer -não sei se posso concertar as coisas, mas quero que saiba que minha missão termina aqui, eu lhe peço perdão por tantas as suas dúvidas e por ter te abandonado, mas não podia lhe contar tudo antes, não faria sentindo, tampouco faz agora. Você foi, ou melhor, sempre será aquilo que alimenta a minha alma.- Assim ele pois algo em meu bolso e me deu um breve beijo, foi quando ele derramou uma última lágrima e quase caiu mas ela o segurou e deitou ele em sua cama. Ela começou a chorar, aquilo não podia ser verdade, foi quando ela pegou o que havia em seu bolso, era uma caixinha não muito grande, com um bilhete dentro, ela o desdobrou e começou a ler, era o diagnostico da doença dele, câncer. Junto ao bilhete também havia uma aliança, muito bonita, com pedrinhas azuis, era a cor favorita dela. Colado na tampa da caixinha dizia ”sei que quando ler, tampouco estarei vivo, mas repare que eu uso uma aliança como esta que te dei”. Ela olhou em sua mão esquerda e lá estava a aliança cintilando. Ela tirou a sua da caixa e reparou que gravado havia escrito ”Serei seu anjo Eduardo 1988 - 2012”. Ela sentou desconsolada ao lado dele e chorando muito, pegou uma caneta e um papel e começou a escrever, ela, de algum modo, sabia que ele estava ao lado dela observando aquela cena. Ao terminar colocou o papel sobre o corpo dele e começou a revirar sua bolsa, então pegou um vidrinho que continha uma caveira desenhada e virou o líquido em sua boca e se deitou ao lado dele. No papel dizia ”Foi preciso retirar nossas vidas para que pudéssemos enfim ficarmos juntos, pois bem, agora viverei contigo aonde quer que nossas almas estiverem.” Ali jazia dois corpos de um casal muito apaixonados e de mãos dadas, ela arrumou para que ambos ficassem com a mão esquerda sobre o peito, deixando a mostra as alianças e o bilhete ao meio. Enquanto o casal jazia sobre a cama, o mesmo casal em transparência observava a cena de mãos dadas, ela encostou a cabeça em seu ombro e desapareceram.

Viviani Nogueira (via 18letras)


“Dói né ?” “O que ?” “Nada, é só porque virou modinha.”


Desistir é para os fracos”, logo, fui fraca, sou fraca e é bem provável que eu sempre seja uma fraca. Eu tentei, mas do que isso, eu mergulhei de cabeça em uma coisa que ia contra todos os princípios que ainda me restavam. Um tipo de amor diferente, um amor que delimita as vontades da pessoa mas nunca o sentimento. Delimita a posse, delimita o toque, delimita o cheiro, delimita até a visão e as sensações bem de pertinho. Mas o sentimento não é delimitado, o sentimento só aparenta aumentar de minuto pra minuto, de segundo pra segundo, desconfio que até de milésimo pra milésimo. Sabe, confesso que já tinha provado esse gostinho que tem o amor a distância, mas nada se compara, nada consegue alcançar aonde você alcançou, mas as consequências são um tanto quanto delicadas, consegues lidar com apenas a imaginação? Consegues se conter com apenas sonhos? Vai chegar uma hora que nada irá saciar a tua vontade, aquela vontade que até um surdo escuta mas ela não encontra o caminho certo para os teus ouvidos. Peço-lhe perdão por ter um jeito diferente e diria até estranho, de demonstrar os meus sentimentos, também peço-lhe que entenda minhas crises meia narcóticas e até mesmo bipolares, mas saiba que carrego em meu bolso o medo e não sabes quantas portas ele tem me aberto, fazendo-me entorpecer os sentidos, fazendo-me perder os argumentos e a razão. Aquele medo que já deves ter te consumido em partes ou por inteiro, trazendo consigo uma escuridão imensa e umas dúvidas que te atormentam. Mas o que seria da vida sem um pouquinho de conflitos, não? Escrevo-te para lembrar-lhe que talvez até tenhas me deixado um pouco frustada, mas não consigo esconder um sentimento forte que carrego ao lado esquerdo do meu peito, em meu coração, aquele que combate com o medo todos os dias e que suporta as dores de uma derrota mas continua batendo dando-me a vida física mas não podendo dar-me a vontade de viver. Apesar da frustração repentina, o meu amor, que não é nem um pouco repentino e sim conquistado, o meu amor eu entrego a ti, junto com o órgão que lhe da à existência. Se entregar de corpo e alma é muito comum, o incomum atiça meu paladar, prefiro não me entregar, ao invés disso dou meu coração para aqueles que sei que são capacitados de cuidar.
Viviani Nogueira (via 18letras)

Janeiro : mamãe descobriu que eu era um menino =)

Fevereiro : mamãe e papai brigaram axo que foi por minha causa mais fiquei quietinho..

Março : xutei sua barriga, desculpe mamãe, foi sem querer :/

Abril : mamãe e papai brigaram de novo e falaram de uma coisa que eu não sabia, falaram de um tal de ”ABORTO”

Maio : mamãe foi no medico, ele pediu para q ela deitasse na cama, senti algo puxando meu pezinho, pensei que era hora de eu nascer, e de ver minha linda
mãezinha.. de repente, vi tudo ficar escuro :’(

PORQUE ME MATOU MAMAE? TE AMAVA TANTO … :’(

 ABORTO É CRIME


Quem inventou a ilusão desconhecia a dor.


18 Letras
Vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão. — Caio Fernando Abreu.
theme por desesperancoso; alguns detalhes por decepcionar, noheartgirl e im-mutable.